- Local: Olinda/PE
- Ano do Projeto: 2009
- Ano de conclusão: 2010
- Construção: Renato Mesquita e Mário Félix
- Estrutura: PROTENCO Engenharia
- Área construída: 575,17 m²
- Em parceria com: Plácido Fernandes
- Equipe: Juliano Dubeux, Clarisse Fonseca, Renata Lima, Renata Vieira, Bruno Gulart, Dandara Nassar, Diomari Diniz, Gabriela Matos, Silvana Sampaio, Tiago Lins, Valdir Silva, Vinicius Fonseca e Vítor Coimbra
- Fotografia: Eudes Santana
- Perspectiva: Evandro Maia
Erguido nos quintais da Pousada do Amparo, em Olinda, arquitetura se funde com a natureza, numa proposta onde a alternância de situações espaciais diversas metaforiza a ritualística de uma refeição especial.
Situada na Área de Preservação Rigorosa do Amparo, a pousada de mesmo nome é fruto da conexão entre 3 sobrados históricos compreendidos entre esta rua e a ladeira da Rua Saldanha Marinho, aos pés da imponente Academia Santa Gertrudes.
Locado no módulo 2 da pousada, a edificação do restaurante traz solução consensuada com os órgãos de preservação do patrimônio em suas instâncias Municipal, Estadual e Federal. Além disso, o projeto procurou possibilitar novas formas de viabilização comercial aos empreendimentos situados no sítio histórico e, com isso, combater os efeitos da sazonalidade de um turismo fortemente atrelado às festas populares.
As exigências dos órgãos do patrimônio, uma vasta cobertura vegetal, orçamento restrito e terreno fortemente acidentado, percorrido por um delicado curso d’água, foram os condicionantes da solução, que define uma barra transversal suspensa no terreno, fechada com vidro, aço e madeira reciclados, revestidos por manta ardosiada, que se camufla entre as copas das árvores, abrindo uma nova janela de luz sobre os telhados do sítio histórico.
Como estratégia, se vale da ocupação de decks de madeira pré-existentes no jardim do quintal que, articulados através de uma trilha rústica sob as árvores, se configura como a trajetória, onde pequenas estações formam estares de ambiências distintas, de onde se pode apreciar a paisagem de cinco diferentes pontos de vista.
O primeiro ponto, ou o Mirante de embarque, é constituído por um patamar de chegada ao restaurante, com um deck elevado, erguido em ferro e madeira reciclada. É o ponto de recepção dos comensais de onde se pode contemplar a vista para a Foz do Beberibe e a entrada do Porto do Recife. Daí toma-se a trilha para o terraço da fonte, ou para o plano inclinado.
O primeiro estar no trajeto pelo jardim, o terraço da fonte, se configura como um lounge ao ar livre onde um deck de madeira paira sobre o curso d’água definido por uma bica que se esgueira entre pedras, troncos e galhos, produzindo o discreto som de uma cascata.
Através de uma escada de raízes e toras guarnecidas por corrimãos de galhos vivos e retorcidos chega-se ao segundo patamar, previamente definido por um arrimo de tijolos e contra piso de concreto bruto. Neste ponto é montada a estrutura de perfis reciclados que é fechada com vidros e madeira de demolição. Aí são locados os WC’s, a cozinha e o salão sob uma coberta.
Em seguida, ao descer por uma antiga escada e ferro fundido, retorna-se ao jardim, onde através de um espelho d’água ergue-se a adega de onde é possível avistar o céu entre a copa das árvores.
Por fim, por degraus de tijolos maciços, chega-se ao café, que sob uma coberta de telhas antigas apoiadas sob janelas, portas e traves de demolição, evidencia fragmentos da memória da cidade colonial.


















